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Transporte de fertilizantes: como e por que fazer o gerenciamento de risco

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Escrito por nstech

A produção de grãos no Brasil cresceu mais de seis vezes nos últimos 40 anos, enquanto a área plantada apenas dobrou. O aumento da produtividade foi possível graças ao uso de tecnologia e de adubos nas plantações. Entretando, o transporte inbound dos insumos das fazendas é um dos grandes desafios na logística atual do agronegócio.

Cerca de 40% dos insumos necessários à cultura de grãos e cereais são fertilizantes, uma substância mineral ou orgânica, natural ou sintética, capaz de fornecer nutrientes às plantas.

Mais de 85% dos fertilizantes ou componentes usados na fabricação de fertilizantes são importados, ou seja, percorrem longos caminhos nas rodovias entre os portos brasileiros e os misturadores, armazéns ou fazendas. Por isso, é preciso ser eficiente no transporte das cargas.

Melhorar a logística de fertilizantes requer uma gestão efetiva dos riscos. Uma das estratégias é investir em boas soluções de gerenciamento de riscos. Saiba neste artigo como e por que apostar em GR no transporte de fertilizantes.

Boa leitura!

Mercado de fertilizantes no Brasil

O Brasil é o quarto maior produtor mundial de grãos, mas tem pouco mais de 20 grandes plantas industriais produtoras de fertilizantes.

As empresas do país respondem por apenas 11,6% do potássio, fósforo e nitrogênio usados na agricultura. O restante é importado, segundo levantamento do Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-primas para Fertilizantes (Sinprifert).

O consumo nacional de fertilizantes cresceu 450% nos últimos 20 anos e fez a importação subir 66%. A demanda brasileira anual ultrapassa 40 milhões de toneladas de fertilizantes, o que torna o país o quarto maior consumidor do mundo.

Para reduzir a dependência do mercado internacional, o governo federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes. A meta é forçar a queda das importações de 86% (dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos) para 50% em 30 anos.

Seja como for, a demanda por transporte de fertilizantes seguirá em alta e o gerenciamento de riscos será cada vez mais importante.

Desafios na logística de grãos e na distribuição de fertilizantes

O custo do transporte de fertilizantes subiu 21% entre 2010 e 2022, segundo aponta um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (EsalqLog/USP).

A alta foi causada, entre outros fatores, pela forte dependência brasileira pelo modal rodoviário. Com a malha ferroviária pouco eficiente, o setor precisa transportar, pelas estradas, as cargas dos portos até a indústria e da indústria até o produtor.

Dos portos do Sul, por onde chegam pelo menos 77% das importações de insumos, até a entrega em misturadoras de diferentes estados, a jornada é desafiadora. A distância média percorrida no transporte de fertilizantes é de 800 quilômetros.

Sem a capilaridade multimodal adequada, o transporte de fertilizantes esbarra no custo elevado dos combustíveis, longas viagens em um país de dimensões continentais e com estradas precárias, alto índice de acidentes e roubo de cargas.

Entre 2010 e 2022, mostra a pesquisa da EsalqLog, a indústria de fertilizantes aumentou o uso do modal rodoviário, totalizando 86% da carga transportada pelas estradas contra 13,6% do modal ferroviário.

Na avaliação dos pesquisadores, o crescimento no modal rodoviário somado ao aumento sistemático dos combustíveis e aos gastos com pedágios pesaram fortemente na alta geral dos custos com transporte de fertilizantes.

Outros gargalos no transporte de fertilizantes

O custo do transporte não é o único gargalo na logística de grãos. Nem mesmo o fato de ser um grande produtor e exportador de commodities agrícolas conseguiu tornar o Brasil autossuficiente na produção de fertilizantes.

A interrupção da cadeia de suprimentos durante a pandemia e, mais recentemente, os embargos econômicos e o conflito entre a Rússia e a Ucrânia jogaram para a altura o valor dos insumos importados.

Para otimizar a logística de fertilizantes, uma das medidas é reduzir os custos. E isso passa por um planejamento rigoroso e, especialmente, pelo gerenciamento dos riscos na logística de fertilizantes.

Atualmente, o setor não precisa apenas de mais eficiência nos terminais portuários. A lista inclui preços de frete mais competitivos, consolidação de um modelo multimodal conectado a ferrovias e hidrovias, aumento da capacidade de estoque para que a indústria brasileira não fique exposta às oscilações do mercado internacional e fortalecimento do conceito de logística colaborativa.

Leia aqui O tripé da logística eficiente: colaboração, digitalização e integração.

Pontos de atenção no transporte de fertilizantes

Na logística de grãos, o transporte de fertilizantes é uma etapa essencial e deve ser cada vez mais eficiente e atento às questões de segurança, saúde e meio ambiente. Os principais desafios na movimentação das cargas de fertilizantes são:

1. Riscos à saúde

A inalação ou contato dos fertilizantes com a pele e os olhos pode causar irritação, queimaduras, problemas respiratórios, reações alérgicas e até intoxicação.

2. Riscos ao meio ambiente

Vazamentos ou derramamentos da carga podem contaminar o solo e a água, afetando os mananciais. Além disso, o nitrogênio e fósforo (nutrientes usados para o crescimento das plantas), quando em excesso nos lagos e rios, aumenta a proliferação de algas e leva à morte de peixes.

3. Riscos de acidentes

O transporte de fertilizantes em veículos inadequados ou em condições precárias eleva os riscos de acidentes. Alguns fertilizantes, como nitratos e amônia, são inflamáveis, aumentando o risco de incêndios e explosões em caso de acidentes.

4. Custos e infraestrutura

O transporte de fertilizantes é um processo caro, impactado por fatores como distância, modalidade de transporte, pedágios e custo dos combustíveis. A infraestrutura logística brasileira apresenta gargalos, como a falta de multimodalidade e de conservação das rodovias, dos terminais portuários e das ferrovias.

4. Segurança e responsabilidade

A falta de treinamento dos motoristas e da equipe de logística potencializa os riscos no transporte de fertilizantes, assim como o uso de embalagens inadequadas, veículos sem manutenção, rotas mal planejadas e viagens sem a documentação em dia.

5. Normas e regulamentações

O transporte de fertilizantes requer que as empresas atuem em conformidade com a legislação e com as regras específicas para a atividade. Nem todos cumprem as determinações legais como deveriam, o que torna o serviço arriscado e sujeito a fiscalizações e multas.

As principais diretrizes para o transporte de fertilizantes constam na Resolução ANTT nº 5.947/2021 (normas para o transporte terrestre de produtos perigosos, incluindo os fertilizantes), Código Brasileiro de Trânsito (regras gerais para o transporte de cargas em todo o território nacional) e normas da ABNT que regulamentam o transporte de produtos perigosos, incluindo os fertilizantes.

O transporte de fertilizantes também está sujeito às regulamentações específicas de cada modalidade de transporte (terrestre, aéreo, marítimo) e às legislações estaduais e municipais.

Como deve ser o transporte de fertilizantes?

Não há dúvida de que o transporte de fertilizantes exige atenção especial com a segurança completa da operação. Os cuidados envolvem:

Embalagens

  • Adequadas ao tipo de fertilizante (sólido, líquido ou gasoso) e às características físico-químicas dos produtos.
  • Resistentes e impermeáveis para evitar vazamentos e contaminações.
  • Identificadas com o nome do produto, classificação de risco, instruções de manuseio e informações de contato do fabricante ou importador.

Veículos

  • Adequados ao tipo de carga e às características físico-químicas dos produtos.
  • Equipados com sistemas de segurança, placas de sinalização, dispositivos de contenção de vazamentos e rastreadores.
  • Planos de manutenção preventiva para garantir a segurança do transporte.

Motoristas

  • Habilitados para transportar produtos perigosos, nos quais se enquadram os fertilizantes.
  • Equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados, como luvas, óculos de proteção e botas.
  • Conhecimento sobre as normas e regulamentações do transporte de produtos perigosos.

Documentação

  • O Documento de Transporte de Produtos Perigosos (DTPP) é obrigatório no transporte de fertilizantes e deve acompanhar a carga durante todo o trajeto, pois informa sobre suas características e os riscos envolvidos.
  • Além do DTPP, outras documentações de transporte são necessárias, como a nota fiscal e o certificado de análise do produto.

Segurança

  • Rota bem planejada para evitar áreas de risco e congestionamentos.
  • Velocidade adequada às condições da via e ao tipo de carga.
  • Paradas em locais seguros e sinalizados.
  • Manuseio cuidadoso da carga para evitar danos às embalagens e eventuais vazamentos.

Prevenção de acidentes

  • Veículo e carga inspecionados antes de iniciar o transporte para garantir as boas condições.
  • Motorista treinado em programas de direção defensiva e legislação de trânsito.
  • Diretrizes claras em caso de acidentes, como a necessidade de comunicar imediatamente a Central de Monitoramento e as autoridades competentes.

 

Vantagens de investir no gerenciamento de riscos no transporte de fertilizantes

No transporte de fertilizantes é essencial que toda a operação, do embarque à entrega, tenha seu foco na segurança e na eficiência. O gerenciamento de risco no transporte de fertilizantes oferece diversos benefícios à cadeia logística de grãos.

As principais vantagens do GR incluem:

  1. Segurança

Redução do risco de acidentes:  diminui o risco de incêndios, explosões, vazamentos, derramamentos e outros acidentes durante o transporte.

Proteção da saúde humana e do meio ambiente: minimiza os riscos de intoxicação, contaminações e impactos ambientais, protegendo a saúde das pessoas e o meio ambiente.

Maior segurança para os motoristas e equipe de logística: assegura um ambiente de trabalho mais seguro aos envolvidos no processo de transporte.

Roteirização: otimiza as viagens por meio do planejamento de rotas que levam em consideração a distância total, condições das estradas e de tráfego, restrições de horário ou de circulação, prazos de entrega etc.

Adequação do veículo: mantêm a frota em bom estado de conservação, com freios, pneus e mecânica em dia.

Monitoramento em tempo real: acompanha as viagens do início ao fim e fornece detalhes sobre a localização e o status do veículo durante o transporte. O monitoramento mantém os times atualizados sobre o progresso da viagem, a rota planejada e eventuais desvios.

  1. Economia

Redução de custos: diminui custos com reparos, remediação ambiental, indenizações, imprevistos e prejuízos relacionados a acidentes.

Otimização do transporte: aumenta a eficiência do transporte, reduzindo atrasos e perdas de produtos.

Melhoria da imagem da empresa: demonstra o compromisso da empresa com a segurança e a responsabilidade social.

  1. Competitividade

Melhoria da competitividade: permite que a empresa se destaque no mercado por sua atuação segura e responsável.

Aumento da confiança dos clientes: gera confiança nos clientes e parceiros da empresa.

Facilidade na obtenção de seguros: facilita a obtenção de seguros e apólices com melhores condições.

Cumprimento das normas e regulamentações: assegura o cumprimento das normas e regulamentações para o transporte de produtos perigosos.

Soluções e tecnologias para o gerenciamento de riscos no transporte de fertilizantes

A nstech – maior empresa de software para supply chain da América Latina – conta com uma área dedicada ao agronegócio. Entre as soluções, oferece as tecnologias necessárias para mitigar os riscos no transporte de fertilizantes.

O gerenciamento de riscos no transporte de fertilizantes inclui o uso de ferramentas como o Cadastro – que torna a pesquisa e a liberação de motoristas e veículos mais ágil e segura; tecnologias para rastreamento, telemetria e monitoramento de viagens e recuperação de carga; torre de controle logístico para gestão da operação em tempo real e sistemas dedicados à prevenção de acidentes.

Essas soluções proporcionam:

– Redução de custos: mais segurança operacional, maior proteção à carga, menos prejuízos com roubos e danos, segurança jurídica, conformidade regulatória e cumprimento dos requisitos necessários ao seguro das cargas.

– Maior produtividade: melhoria da eficiência logística com acompanhamento em tempo real, satisfação dos clientes, ganhos na reputação e competitividade.

– Sustentabilidade: menor probabilidade de acidentes nas estradas e alinhamento às melhores práticas de sustentabilidade.

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