Logística de grãos no Brasil: dados, gargalos e tendências
junho, 2026 / Por nstech
Os acidentes no transporte de cargas não começam quando um caminhão tomba, uma colisão acontece ou uma carga é perdida na estrada. Na maioria das vezes, a causa é um celular, uma distração, uma jornada excessiva, uma curva feita acima da velocidade ou uma estrada sem manutenção.
Quando observados individualmente, esses fatores parecem banais, mas se analisados em escala nacional, revelam um dos maiores desafios da logística brasileira.
O Brasil depende das rodovias para movimentar aproximadamente 65% das cargas transportadas no país. As estradas sustentam cadeias produtivas inteiras, conectam regiões e garantem o abastecimento de milhares de cidades, mas também expõem embarcadores, transportadoras, motoristas e seguradoras a um cenário de risco.
O Relatório de Acidentes Rodoviários no Transporte de Cargas 2025, da nstech, mostra que os acidentes são um problema estrutural da logística nacional.
A conclusão é resultado do cruzamento de dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Superintendência de Seguros Privados (Susep) e das três maiores gerenciadoras de risco do país: BRK, Buonny, Onisys e Opentech.
Mais do que contabilizar ocorrências, os números ajudam a responder uma pergunta que deveria estar no centro da gestão de riscos: afinal, onde estão os principais perigos do transporte rodoviário de cargas hoje?
Por muito tempo, os acidentes rodoviários foram tratados como fatalidades que exigiam resposta rápida depois da ocorrência. Os dados mais recentes mostram que essa visão está ultrapassada.
Segundo o Panorama CNT de Acidentes Rodoviários 2025, o Brasil registrou 72.476 acidentes em rodovias federais ao longo do ano. O saldo foi de 83.490 pessoas feridas e 6.040 mortes.
Embora o volume total tenha apresentado uma pequena redução em comparação ao ano anterior, o impacto econômico permanece gigantesco. Os custos associados aos acidentes ultrapassaram R$16 bilhões.
Por trás desse valor estão despesas médicas, perdas humanas, interrupções logísticas, indenizações, danos materiais e impactos que se espalham por toda a cadeia de suprimentos.
Quando o olhar se volta para o transporte rodoviário de cargas, o cenário se torna ainda mais relevante. Mais de 20% dos acidentes e 44% das mortes registradas nas estradas envolveram veículos pesados.
Isso significa que a segurança logística deixou de ser uma preocupação exclusiva das áreas operacionais e passou a influenciar diretamente indicadores financeiros, reputacionais e estratégicos.
No transporte de cargas, os acidentes seguem padrões claros, com regiões críticas e comportamentos de risco que respondem por mais de 90% das ocorrências.
No entanto, ainda existe uma tendência de imaginar que o risco esteja distribuído de forma homogênea pelas estradas brasileiras. Só que os dados mostram exatamente o contrário.
O Sudeste registrou 847 acidentes em operações monitoradas pelas gerenciadoras de risco da nstech em 2025, consolidando-se como o principal polo de criticidade do país. E isso não é uma coincidência.
A região concentra alguns dos maiores corredores logísticos brasileiros, elevada circulação de cargas e uma intensa movimentação industrial e comercial. Quanto maior a densidade operacional, maior é a exposição ao risco.
Os números estaduais reforçam essa concentração. São Paulo registrou 417 acidentes em operações monitoradas pela nstech em 2025. Minas Gerais apareceu com 259 ocorrências e o Rio de Janeiro com 149 registros.
Esses estados formam hoje o principal núcleo de atenção para programas de segurança no transporte e gestão de riscos.
Os trechos urbanos registraram 256 acidentes em 2025, superando diversas rodovias federais tradicionais no ranking de criticidade.
Esse comportamento mostra uma transformação importante da logística nacional. O risco não está apenas nas longas viagens interestaduais. Ele está cada vez mais presente na última milha, nos acessos industriais, nos centros urbanos e nos polos de distribuição.
Infraestrutura precária, clima adverso e desgaste dos veículos contribuem para os acidentes, mas nenhum desses fatores aparece com tanta força quanto o comportamento humano.
A Pesquisa CNT de Acidentes Rodoviários aponta que a falta de reação e as reações tardias ou inadequadas responderam por quase um terço das ocorrências registradas no país.
O relatório da nstech aprofunda essa análise ao utilizar dados coletados diretamente das operações monitoradas. Os resultados mostram que os desvios comportamentais são, de fato, o elo mais vulnerável da cadeia de segurança.
Entre janeiro e dezembro de 2025, a Onisys mais de 1 milhão de episódios de distração ao volante. O número impressiona porque revela um fenômeno que dificilmente apareceria em auditorias tradicionais ou relatórios convencionais.
A distração dos motoristas não costuma ser percebida até que resulte em uma colisão, saída de pista ou tombamento. Quando a tecnologia embarcada passa a monitorar continuamente o comportamento ao volante, esses riscos deixam de ser invisíveis.
Mesmo com campanhas educativas e fiscalização crescente, o uso de celular ao volante foi identificado mais de 470 mil vezes nas operações logísticas monitoradas pela nstech em 2025.
Esse comportamento é capaz de comprometer completamente a capacidade de reação do motorista. Em velocidades rodoviárias, poucos segundos de desatenção representam dezenas de metros percorridos sem qualquer percepção efetiva do ambiente.
Os dados do Report nstech de Acidentes mostram mais de 300 mil registros de fadiga nas viagens monitoradas durante um ano, além de centenas de milhares de episódios relacionados a bocejos e olhos fechados detectados pelas câmeras embarcadas.
O problema da fadiga é que ela raramente aparece de forma abrupta. Na prática, ela se instala gradualmente, reduzindo a capacidade cognitiva, aumentando o tempo de resposta e comprometendo decisões críticas durante a condução.
Se existe uma tendência capaz de redefinir a gestão de riscos no transporte rodoviário é a capacidade de antecipar problemas antes que eles se transformem em acidentes.
Durante décadas, a lógica predominante no transporte de cargas foi investigar o que aconteceu. Agora, as operações mais maduras estão concentradas em entender o que pode acontecer e como evitar que aconteça.
Telemetria, inteligência artificial, monitoramento comportamental, câmeras embarcadas e análises preditivas estão transformando a segurança logística em uma disciplina baseada em evidências.
Além de registrar os desvios, o uso dessas tecnologias ajuda a identificar padrões. Quando uma operação consegue reconhecer que determinados comportamentos antecedem colisões, tombamentos ou saídas de pista, ela passa a atuar preventivamente.
Essa mudança de mentalidade está por trás do crescimento das chamadas Torres de Prevenção de Acidentes, estruturas que centralizam informações, monitoram viagens em tempo real e permitem intervenções antes que o risco se materialize.
Os dados reunidos pela nstech deixam uma conclusão difícil de ignorar: os acidentes não são apenas um problema de segurança. Na verdade, eles revelam um problema de eficiência.
Cada acidente coloca vidas em risco. Cada colisão gera atrasos. Cada tombamento afeta contratos. Cada sinistro aumenta custos operacionais, seguros e perdas de carga.
As empresas que enxergam a segurança apenas como uma obrigação regulatória tendem a atuar depois do problema. As que tratam a prevenção como estratégia conseguem reduzir riscos, proteger pessoas e construir operações mais resilientes.
A nstech combina tecnologia, inteligência de dados e monitoramento especializado para ajudar transportadoras, embarcadores e operadores logísticos a transformar a prevenção em vantagem competitiva.
Com telemetria, análise comportamental, monitoramento em tempo real e soluções de prevenção de acidentes no transporte de carga é possível identificar riscos antes que eles gerem perdas humanas, financeiras e operacionais.
Descubra como reduzir acidentes, aumentar a segurança logística e tornar sua operação mais previsível com as soluções da nstech. Fale agora com um especialista.
Os acidentes no transporte de cargas são resultado da combinação entre fatores estruturais, operacionais e comportamentais. Quando o monitoramento das operações não é adequado, a exposição ao risco aumenta e gera prejuízos para toda a cadeia logística.
Nesse contexto, a prevenção passa de mera medida de segurança para se tornar uma estratégia de negócio.
O uso inteligente de dados, aliado a tecnologias de monitoramento, análise preditiva, gestão de riscos e prevenção de acidentes, permite identificar padrões, monitorar situações críticas e agir antes que os atos inseguros resultem em acidentes.
Mais do que evitar perdas financeiras e interrupções operacionais, investir em prevenção significa proteger vidas, fortalecer a competitividade das empresas e construir uma logística mais segura e sustentável para o futuro.
Quer saber mais? Acesse aqui o Report nstech de Acidentes 2025/26 e confira a análise completa dos dados, tendências e fatores de risco que estão moldando a segurança no transporte rodoviário brasileiro.
julho, 2026 / por nstech
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